Cultura, tradição e luta: Conheça a história da Comunidade Mumbuca no Jalapão

Na margem direita do rio Tocantins, se encontra o povoado de Mumbuca, a 35 km da cidade de Mateiros, no coração do Jalapão. Mumbuca – reconhecida como quilombola pela Fundação Palmares – é uma espécie de grande família que se originou de remanescentes de quilombolas e indígenas que habitavam a região. A base da economia local é o artesanato de capim dourado e a agricultura familiar, em que homens e mulheres têm papéis bem definidos: eles cuidam do cultivo das roças e as mulheres da colheita e da fabricação de farinha de mandioca. Uma vez por ano, geralmente em setembro, é realizada a festa da colheita do capim dourado com manifestações culturais, cantorias e rodas de conversa que têm o objetivo de manter as tradições.

A presença indígena na cultura local é expressa no próprio nome do povoado, “Mumbuca”, que na língua indígena significa “abelha azul”, uma espécie comum na região.

As pessoas  vivem em casas simples de tijolos de barro e hoje, mesmo com a tecnologia, continua com dificuldades como saneamento básico.

O Mumbuca faz parte das doze comunidades quilombolas presentes no Jalapão, que recebem turistas durante o ano para uma espécie de “imersão” na vida dos nativos. Em setembro, por exemplo, acontece Festa da Colheita do Capim Dourado, que conta com diversas apresentações de dança, música e rodas de conversa.

Conheça um pouco mais sobre a fundação da Comunidade Mumbuca 

Guilhermina Pereira Matos, dona Miúda, nasceu em 1928, na região do Jalapão no leste do atual estado do Tocantins. Seus pais Silvério Ribeiro Matos e Laurina Pereira Matos vieram da Bahia no começo do século XX, em busca da “bandeira verde”, os gerais – terra com abundância de águas e pastagens naturais. Dona Miúda dizia que a sua avó e sua bisavó eram índias, “caboclas” pegas no laço para se casarem com negros baianos. A família de D. Miúda encontrou na região do Jalapão, a família dos Beatos, casando seus filhos entre si.

É dessa origem que se formou o povoado do Mumbuca. Para dona Miúda a sobrevivência nessa região tão inóspita e isolada só foi possível graças à inteligência do seu povo, pequenos camponeses que viviam isolados em suas porções de terra e que produziam para a sua subsistência: faziam lavouras de arroz, feijão, mandioca. Plantavam cana. Criavam animais domésticos. Produziam seus próprios utensílios como louças de barro, peças em palha de buriti, confeccionavam seus tecidos no tear.

É da inteligência de dona Laurina, segundo dona Miúda, que o povo do Mumbuca herda a confecção do capim dourado, quando esta descobriu que podia a partir daquele “capim” dá origem a objetos necessários a sua vida cotidiana. Dona Miúda aprendeu a arte da costura do capim dourado com a sua mãe, confeccionando utilitários como cestos e chapéus. Produziam para uso doméstico e só esporadicamente vendiam seus produtos, quando iam às cidades vizinhas como Formosa, na Bahia, Corrente no Piauí, Porto Nacional e Ponte Alta do Tocantins.

A criação do Estado do Tocantins em 1988 e as políticas públicas para a valorização da cultura local deram ao oficio da costura do capim dourado e a seus artesãos uma nova dimensão sócio-cultural. Dona Miúda foi uma das grandes parceiras do Estado nesse processo de valorização e afirmação do capim dourado como um dos mais fortes elementos de identificação cultural do estado do Tocantins.

Dona Miúda exerceu um forte papel não só na transmissão do saber fazer o artesanato em capim dourado, dentro e fora da sua comunidade. Preocupava-se especialmente com a manutenção da produção do artesanato em capim dourado e o fomento de outros meios de subsistência, como a produção de doces e licores com frutos do cerrado que permitissem melhorar a renda da comunidade.

Associação do Capim Dourado

A presença feminina é marcante em Mumbuca na liderança e organização da comunidade. As mulheres compõem a Associação do Capim Dourado, sendo responsáveis pela produção do artesanato, pelas vendas e distribuição dos ganhos.

Pin em mundo real

Após o processo de reconhecimento quilombola impulsionado pela Fundação Cultural Palmares, Mumbuca entre outras comunidades passaram a receber maior atenção externa, o que impulsionou a produção artesanal. A Associação Capim Dourado foi criada em 2000 por um grupo de artesãs que sentiram necessidade de se organizar formalmente para o manejo do capim dourado e de estimular a comercialização do artesanato que, hoje, constitui a principal fonte de renda das comunidades residentes no interior do Parque Estadual do Jalapão. A força da Associação também está em evitar a mediação do atravessador da matéria-prima, garantindo maior acesso à mesma.

A Associação tem tido importante atuação junto às outras comunidades alojadas no Parque Estadual do Jalapão no debate em torno de estratégias que garantam tanto a sustentabilidade da região, como o fortalecimento da cultura e saberes locais. Uma das propostas em debate é a transformação do Parque Estadual em Reserva de Desenvolvimento Sustentável.

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Capim Dourado

O Capim Dourado faz parte do grupo de plantas “sempre-vivas”, uma espécie bem resistente que, mesmo depois de colhida, precisa ser manuseada para mudar seu formato. Hoje em dia, graças à evolução do negócio, as peças produzidas pelos artesãos são cada vez mais sofisticadas.

Considerado o verdadeiro tesouro do Jalapão, para evitar a sua extinção, o capim dourado é protegido por diversas leis, e pode ser colhido apenas de setembro – quando brilha ainda mais – até novembro, e somente as peças produzidas pela comunidade local podem ser comercializadas fora do Estado.

Neste endereço cpisp.org.br/mumbuca-to há vários trabalhos acadêmicos que citam a comunidade Mumbuca.

*Com informações dos sites:  turismo.to.gov.br , artesol , aventurasnahistoria.uol

Luciane Santana
Luciane Santana
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